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o trabalho da life eventos especiais na mídia especializada

Jornal do Comércio
18/01/2016

Casamento é a menina dos olhos do setor de eventos

Guilherme Daroit

Os tempos mudaram, mas o interesse pela cerimônia cresceu, se especializou e, mesmo tradicional, está mais atual do que nunca.

Mesmo com a menor afeição do brasileiro moderno aos ritos religiosos, o número de casamentos legais bate recordes no Pais. Segundo as Estatísticas do Registro Civil, compiladas pelo IBGE, foram 1.106.440 as uniões registradas em 2014, aumento de 37,1% em relação a 2004. Mesmo em 1974, primeiro ano da série comparativa, por exemplo, eram 806.968 os casamentos percebidos pelo instituto, pouco menos de 73% do número atual.

Em alta, os matrimônios representam, também, pelo menos 15% dos eventos realizados no País, um mercado que, segundo a Associação Brasileira de Eventos Sociais (Abrafesta), movimentou R$ 16,8 bilhões em 2014. *Trabalho com isso há 25 anos e posso afirmar que o casamento não sai de moda", brinca o presidente da Associação Gaúcha de Empresas e Profissionais de Eventos

Cerimónias correspondem a 15% do total de

(Agepes), Alexanore Graziadio. Ainda que relativize o montante divuigado pela entodde nacional, graziadio, que tamoem e proprietano da Grafjet, especializada em convites, garante que, por gerarem maior faturamento do que outros tipos de eventos, os casamentos são o ponto forte do segmento.

"Digo sempre que casamento custa tanto quanto um carro. O modelo, porém, é o casal que decide, de um carro popular, em tomo de R$ 20 mil, até um carro de luxo, acima de

R$ 1 milhão*, comenta Graziadio. Talvez até por essa versatilidade, o empresário ressalta a resiliência da celebração, que, mesmo com a dificuldade econômica das familias nos últimos meses, continuam sendo realizados. "Estão gastando menos do que pretendiam, mas o volume de casamentos não diminui*, afirma Graziadio.

Um dos principais motivos apontados para essa diferença é a tradição que envolve o momento, ainda motivo de sonho para muitos. É o caso, por exemplo, da médica Claudine

Felden (foto do casamento acima). *Pelo meu marido, se abrissemos mão seria bem tranquilo, mas eu queria porque queria, até mesmo antes de ser noiva", brinca Claudine, casada com Marcio Spagnól desde novembro.

A médica comenta que, durante a organização da cerimônia, realizada em Barra do Ribeiro (RS) para 250 convidados, percebeu as principais características dos casamentos atuais: a complexidade e a especialização dos fornecedores. "A gente só conhece o que enxerga, flores, decoração, gastronomia. Mas aí vai descobrindo que tem que ter toldo, palco de tal tamanho, camarim para banda, entre outras coisas que não tínhamos nem ideia", conta Claudine, que começou a preparação com um ano de antecedência.

Embora não revele os valores totais, a médica comenta que a cerimônia acabou custando mais do que o dobro do que o planejado, o que quase a fez desistir - o que só não fez porque, se fosse apenas no papel, "parecia que não mudaria muita coisa", já que já morava junto com Spagnól. "É uma vez na vida, então decidimos fazer, dentro das possibilidades, mas do jeito que a gente queria", argumenta Claudine.

Especialização é marca registrada das empresas

Assim como a experiência vivida pela noiva Claudine Felden, a multiplicidade de fornecedores é cada vez malor e mais frequente na organização de casamentos. Segundo a pesquisa da Abrafesta, seriam, na média, oito serviços por evento - mas, em boa parte dos casamentos, o número passa facilmente disso, beirando as duas dezenas. Tende ao infinito. Sempre brinco com as noivas de que temos um orçamento para seguir, mas que, se ganharem na Mega-Sena, me avisem!"*, brinca a organizadora Fernanda Dutra, da Life Eventos Especiais.

A função, popularizada como "cerimonialista", acabou surgindo justamente pela variedade de detalhes a serem cuidados em um casamento, o que demanda ajuda aos noivos. A procura é grande. Fernanda, que organiza de quatro a seis casamentos por mês, conta que recebe 500 orçamentos por ano. "Há noivos que chegam com orçamento 'X, mas a festa que almejam custa 5x. Nosso papel é colocar os pés no chão, e fazer o máximo possível com o orçamento que tem", comenta Fernanda.

Aos noivos, Graziadio oferece 1.200 opções

A matemática é complicada porque, para cada particularidade, seja ela sonhada há muito tempo ou mesmo vista em revistas e sites de referência, provavelmente exista algum fomecedor específico. Nem que seja por acaso, por uma demanda reprimida, como aconteceu com a empresária Claudia Oliveira. Até 2008 trabalhando com doces em geral.

Claudia fez, à época, um na úncio oferecendo, entre outros produtos, bem-casados. Foi o suficiente para passar a receber pedidos da guloseima típica dos matrimônios, em volume capaz depassar a se dedicar apenas a ela.

*É um trabalho bem artesanal, pois o bem-casado, além do doce, tem a parte da embalagem, que foi onde quisemos focar", comenta Claudia, que hoje atende principalmente

Porto Alegre e Interior em cerca de 10 eventos nos melhores meses. O bem-casado, segundo ela, pode custar entre R$ 4,00 e

R$ 8,50. Além de serviços novos, há também as constantes reinvenções de itens tão tradicionais quanto o próprio casamento, como a fotografia. Publicitário até 2010, o hoje fotógrafo profissional Franco Rossi, por exemplo, afirma ter entrado no ramo justamente porque não achou, em seu casamento, alguém que fizesse imagens do jeito que gostaria, mais despojadas. "Até ali, a foto de casamento era muito posada, baseada no analógico, só de retratos. Eu queria passar a experimentar, errar, mas buscar o diferencial, algo que não acontecia", comenta Rossi, que faz quase 12 mil fotos por evento. Por ano, Rossi afirma receber 1,2 mil pedidos de orçamento, entre os quais limita-se a

2o eventos anuais, na Dase dos ko tu mil cada

*Nosso mercado não é de necessidade, é de satisfação, prazer, em que um determinado item é muito importante para o cliente. Desses desejos todos, acabaram surgindo os especialistas", atesta o presidente da Agepes, Alexandre Graziadio. O próprio dirigente é também exemplo desse movimento. Sua empresa, a Grafjet, é especializada em convites para eventos sociais, e alega possuir hoje 1,2 mil opções de papéis e outras 700 de envelopes. Ninguém quer fazer igual a outro convite já feito, buscam sempre o diferente, e tem que ter a cara da festa", comenta Graziadio, que hoje atende a 120 eventos mensais em todo o País. Entre planejamento e impressão, os convites podem custar de R$ 10,00 a R$ 150.00.

Antecedência nos preparativos passa de um ano

Não há como fazer um casamento - ou mesmo qualquer evento -, sem que haja um local para sediá-lo. E, dependendo do ambiente escolhido, é necessário mais de um ano de antecedência para garantir a reserva para a data desejada. *Enquanto não há lugar, não tem casamento, porque não adianta procurar fornecedor e depois mudar tudo. Em alguns casos, até um ano e meio pode ser pouco", comenta a organizadora Fernanda Dutra, que conta ter sido contratada no último mês de abril por um casal que vai se casar em setembro... de 2017. Caso envolva igreja, então, a preocupação pode ser ainda maior, já que é mais um item cuja agenda precisa estar livre.

SILVA'S E HUNTE

Apesar disso, é cada vez menor o número de casais que buscam um rito religioso. "Quem não compactua com os ideais católicos acaba optando pela celebração fora da Igreja. Querem algo mais suave, menos engessado, menos igual", comenta o consultor da Casar-RS, Rodrigo Cardoso. Outro fator que pode ser apontado é que casais com mais recursos disponíveis têm descoberto os

Пао ропатянно do Laccoia Juvantsmo

casamentos ao ar livre, segmento que viu surgir diversos locais em Porto Alegre.

cerca de 50 festas por ano

Um deles, o Alto da Capela, localizado na zona Sul da Capital, surgiu em 2010 da transformaçãode um sítio familiar em um local de eventos, a principio, empresariais. O plano durou pouco, pois, em um dos primeiros eventos, uma convidada achou que aquele era o local para o seu casamento. Desde então, são mais de 30 cerimônias realizadas por ano no sítio. "Hoje já temos vários espaços recebendo casamento ao ar livre, e isso é muito legal, porque quem ganha é o público, que passa a ter alterativa", argumenta o proprietário do espaço, Fabrício Ehlers, que fecha a agenda com cerca de um ano e meio de antecedência. O aluguel pode variar de R$ 10 mil, em meses de menor procura, para R$ 15 mil na alta temporada (outubro, novembro, março e abril).

Já em locais fechados, menos alheios ao clima, o auge da temporada continua em maio, o famoso mês das noivas, e setembro, segundo Elisiane Aparecida de Moraes, gerente de eventos da Associação Leopoldina Juvenil. O clube é tradicional sede de matrimônios, que passam dos 50 por ano.

Noivos estão mais madurose as festas mais enxutas

Entre as mudanças no perfil das festas e dos noivos brasileiros, uma das que mais chama a atenção é retardo do casamento nos últimos anos. Segundo o IBGE, por prionizarem a formação e a carreira, os conjuges tinham idade média de 33 anos (homens) e 30 anos (mulheres) na data do casamento, em 2014. As médias são três anos maiores do que em 2004, e seis a mais do que em 1984, e são ainda maiores, de 34 anos de idade, para os casamentos de mesmo sexo.

Além disso, quando casam, geralmente optam por cerimônias menores, movimento percebido por diversos personagens ligados ao setor.

"É contemporâneo você valorizar um grupo menor. Me perguntam 'preciso convidar o primo do primo?. Se você não vê ele há 15 anos, claro que não", comenta o consultor da Casar-RS. Rodrigo Cardoso. Não que, necessariamente, menos gente implica menos custos: há sempre quem busca a inovação, tendo apenas o bolso como limite.

Fernanda Dutra ja organizou casamentos com

'Cada ano surge alguma coisa, na parte de entretenimento mesmo. O casamento se transformou em um megaevento", defende o empresário Roberto Franskowiak, da Casa Coquetel, que há cinco anos organiza feiras do segmento no Estado. Apenas na área de filmagem, o empresário relembra a chegada do HD (alta definição), do 3D e, depois, dos drones para os eventos.

A organizadora Fernanda Dutra também alude ao que chama de modismos, como a onda de chinelos personalizados, de totens de fotos e, agora, dos food trucks nas cerimônias. As pessoas tentam trazer o que está acontecendo na sociedade para dentro do seu evento", comenta Fernanda, que relembra, porém, que a criatividade vai de cada casal. "Já fizemos casamentos até com performances aéreas no meio do salão." Cardoso agrega que, independentemente do modo como acontece a celebração, o que referencia os noivos ainda é a tradição. "Aquilo que é moda, em dois anos você odeia vendo em foto ou em vídeo", comenta, citando como baliza ainda o branco, o bolo, o bu e a presença familiar. "Mesmo assim, nenhum casamento vai ser igual a outro", afirma.

reportagem sobre o mercado de casamentos com entrevista da cerimonialista fernanda dutra da life evento especiais
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